Artigo Publicado na revista Terceiro Milenium | AGO/20111
Uma simples caneta pode se transformar em arma para quem domina as artes marciais. Porém, a evolução humana levou o espírito a apreciar muito mais a beleza em detrimento da violência. A transformação do leque em arma na China foi estimulada quando da proibição do uso de objetos bélicos pela população civil. E por mais que a origem fosse para a defesa ou ataque, a fluidez dos movimentos com esse objeto encanta os que praticam este tipo de arte.
Embora algumas culturas, principalmente no ocidente, considerem o leque algo unicamente feminino, os chineses e japoneses elevaram-no a muito mais que uma arma: o leque passou a ser um símbolo de status, poder e amuleto espiritual. No Tai Chi Chuan, tanto o estilo Yang quanto o Chen se dedicaram a desenvolver formas com o uso do leque, combinando movimentos simples com mais complexos.
O mestre brasileiro Estevam Ribeiro deu uma importante contribuição para que o leque continuasse sendo admirado pelos praticantes do Tai Chi. Desenvolveu em 1995 uma forma reconhecida pela Grã-Mestra Shen Hai Mim, considerada uma das guardiãs do estilo Yang tradicional e que figura entre as mais respeitadas da China na atualidade. São 20 posturas tão elegantes que são capazes de conduzir tanto quem assiste quanto quem pratica, a um estado elevado de consciência.
O TAOLU já organizou dois seminários com o mestre Estevam Ribeiro na capital e prepara mais um curso intensivo para o segundo semestre deste ano, dessa vez com a professora Mônica Han, uma das referências da arte na cidade.
De acordo com o mestre Estevam, “cultivando e refinando os princípios do Tai Chi, o leque, para aqueles que iniciam o seu exercício, é uma arte de desenvolvimento corporal, mental e espiritual.” Para o TAOLU, além de contribuir para o fortalecimento da arte, estimular o aprendizado com o leque permite conduzir os alunos a um maior controle não só do corpo, mas também da mente.
Com as mãos livres ou não o Tai Chi é sem dúvida uma das mais belas formas de estimular a saúde e a paz interna. Aliando graciosidade à suavidade, o uso de objetos como o leque fazem da prática uma maneira singular de tomar contato com o eu interior, na busca pelo bem-estar. E o mais importante é que não é necessário ter um conhecimento prévio para iniciar o aprendizado do leque Tai Chi estilo Yang. Basta juntar-se aos praticantes para perceber porque, lá do outro lado do mundo, o leque se transformou em uma obra de arte.